Corri imediatamente para a ombreira da porta, como me ensinaram a fazer, há muito tempo atrás, nas aulas de ciências. Nos minutos que se seguiram (e é impossível precisar se foram 1, 2 ou 10), enquanto sentíamos o balanço compassado do apartamento do sétimo andar, fomos trocando opiniões sobre como lidar com o que se estava a passar, cada um de nós tentando esconder o melhor possível o medo que sentia. Lembro-me de ter dito algo do género: “ Se não passar disto acho que não vai haver problemas”. E não houve.
Para mim foi apenas um susto. Infelizmente, para um número ainda indeterminado de pessoas foi muito mais que isso. As zonas mais afectadas ficam relativamente próximas do epicentro e em Chendgu, a cerca de 100km, apesar da violência com que foi sentido o tremor, os danos foram reduzidos. Em minha casa, para além de um candeeiro de tecto que caiu e de alguns objectos que foram arremessados ao solo, não houve danos mais sérios.
Os vizinhos espanhóis vieram tocar à porta pouco tempo depois e corremos para baixo todos juntos. Quando lá chegámos, já o chão se tinha parado de mexer, e juntámo-nos a uma multidão em pânico que nunca mais regressou a casa.
Quase duas semanas depois, milhares de pessoas continuam a dormir na rua com medo das réplicas do terramoto. Apesar de poucos edifícios terem sido danificados no centro da cidade, a violência de alguns dos sismos que se têm sucedido deixam as pessoas com medo de que as estruturas, agora mais fragilizadas, das suas casas possam não resistir a mais um abalo.
1 comentário:
Oi Paulo, eu sou a amiga da Jana que estava em Chengdu com ela. Achei teu blog pelo dela. Adorei. Sabe que parece que o nosso português é mais parecido quando você escreve? :)
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