segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Hasta Siempre Shaoxing
Se o acesso 'a internet nao for muito complicado vou continuar a actualizar o blog com algumas noticias sobre a minha viagem... ou pelo menos com algumas fotos.
A "Shaoxing Redemption" terminou. Mas pode ser que volte com algumas diferencas no proximo ano. Uma delas vai com certeza ser "Shaoxing".
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Números (Eu cá não sou supersticioso)
As vantagens deste sistema não são tão evidentes quanto os seus riscos. Se por um lado posso tdizer que moro no 8º andar em vez de no 7º - E na China quanto mais alto é o andar maior é o status – por outro as questões que envolvem a idade de consentimento são algo mais delicadas. Pelo sim pelo não, convém perguntar sempre a data de nascimento e não apenas a idade.
Para além do zero, que se terá perdido algures entre a Índia e a China, existem outros números que, apesar de serem reconhecidos como tal, são alvos de descriminarão. Falo essencialmente do quatro, que, devido à sua pronunciação ser muito parecida com a da palavra “morte” é um número de que todos os chineses têm pânico. Um apartamento num 4º andar é mais barato que um no 3º ou no 5º, pela simples conotação de má-sorte que tráz consigo. Alguns construtores chegam mesmo a eliminar o 4 dos seus edifícios, substituindo-o por 3A, por exemplo, para tentar menorizar o prejuízo.
Em sentido contrário, outros números, tal como oito, são associados a boa-sorte, também devido a semelhanças de pronunciação com outras palavras mais simpáticas. Apenas para dar um exemplo, os números de telefone que tenham muitos oitos são mais caros.
Eu, vivendo no apartamento 808, fui logo bafejado pela sorte assim que cheguei a Shaoxing. Por outro lado, o facto do meu número de telefone acabar em 4, dá-me direito a promoções nos carregamentos!
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Shanghai is not China
Ele (para o barman): Ni you re yin liao ma?
O Barman (para mim): What is he saying? I don't understand...
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Coisas que só acontecem na China - II
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Conversa de Discoteca
Eu (pensei): A música não é horrível; 80% das pessoas não estão nas mesas a beber e a jogar dados, mas sim na pista a dançar; a cerveja vem sempre fresca; há pessoas que se beijam; o rácio homens/mulheres é normalmente equilibrado; não se jogam jogos em que o perdedor tem que girar 10 vezes sobre si mesmo e depois beber um copo de penalty; não há gajos de tronco nu a simular combates de luta livre com os amigos... Ah, e quando estamos fartos deste lugar não pegamos nas bebidas e vamos para o bar do lado.
Eu (disse): Not much.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Pensamentos vagabundos
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Momentos especiais
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Caminhando na Garganta do Tigre que salta
Pela minha parte, admito o desejo, por vezes pungente, de fugir física e mentalmente para algum lugar que imagino sempre melhor, onde me possa recriar de acordo com a paisagem e as pessoas que encontro.
Penso nestas coisa, e em outras similares, e em outras completamente diferentes, durante os dois dias de caminhada por uma das gargantas mais impressionantes do Mundo – a Tiger Leaping Gorge. Penso em quantas pessoas já terão perdido a vida por estes remotos caminhos, engolidas por um derramamento de terra ou perdidas para sempre devido a passo em falso. Penso que os poucos caminhantes que encontro pelo caminho são sempre estrangeiros enquanto os chineses preferem percorrer, de autocarro, a nova estrada de alcatrão lá em baixo junto ao rio. Penso que o Baijiou sabe muito melhor quando bebido a meio de uma montanha numa esplanada sobre uma garganta, observando os cumes de neve em frente e conversando sobre coisas como estas e muitas outras.
Quarto com vista para o mundo por 3€
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Shangri-la, the city formerly known as Zhongdian
Zhongdian é o início do mundo tibetano, “a flavour of Tibet if you can’t make it to the real thing” como dizia o guia do costume, e possibilita ao visitante (ou pelo menos a este) as primeiras férias da China dentro da própria China. A cidade velha é uma vila tibetana sorridente e bem conservada que, do alto dos seus mais de 3000 metros, convida o visitante a deixar-se relaxar ao sabor da cerveja local, carne de iaque e outras excentricidades que por estes lados são surpreendentemente bem toleradas.
Esqueço-me do plano inicial, se é que cheguei a ter algum, e deixo-me ficar, indolente, por alguns dias, perdido na vida tranquila deste mundo novo, calcorreando as ruas empedradas, absorvendo um pouco desse místico mundo budista nos fascinantes mosteiros locais e esquecendo-me por momentos do rebuliço da China moderna.
Mas a China moderna está à espreita. Os empresários do Oeste, impelidos pela acção de marketing governamental (o rebaptizado, leia-se) apressaram-se a investir nas actividades do costume e a descaracterização, aos poucos, vai-se começando a fazer notar.
As semelhanças com a Shangri-la de Hilton existem mas não são suficientes para imaginar a acção do livro neste local. Afinal, o que tornava Shangri-la tão especial era essencialmente a sua inacessibilidade, e 8 horas no pior autocarro da China, com paisagens maravilhosas a cada curva, estão ao alcance de qualquer mortal.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Os polícias virtuais...
Two "virtual" police officers will start surfing the net from Saturday to help combat pornography and other illicit activities (...)
They will be on the watch for websites that incite secession and promote superstition, gambling and fraud (...)
"It is our duty to wipe out information that does public harm and disrupts social order" Zhao Hongzhi, deputy chief of the bureau's Internet surveillance center, said. (...)
"The virtual police officers will faithfully fulfill their duties, listen to the suggestions of netizens and protect them from harm", Zhao said.
PS: E eu continuo sem acesso, entre outros sites, a blogs, mas sempre atento às novas formas de contornar o problema (sendo que algumas dessas formas vão sendo descobertas e... censuradas! Para proteger o cidadão chinês desses terríveis vícios ocidentais, claro)
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Outras impressões de Macau
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
terça-feira, 11 de setembro de 2007
A ilusão de um breve regresso a casa
Ruas cujos nomes fazem sempre sentido, restaurantes que incluem bacalhau e caldo verde na ementa e a, maravilhosa e única, calçada portuguesa são apenas algumas das pequenas coisas que fazem de uma visita a Macau algo de especial para um português. Isso e os casinos, claro.
Surpreendeu-me, por um lado, o património histórico muito bem preservado, a fazer lembrar o centro histórico das mais bonitas cidades portuguesas, e, por outro, o facto de poucas pessoas saberem falar o idioma dos colonizadores. Quer dizer, confesso que esta última não foi bem uma surpresa, uma vez que já muita gente mo tinha dito. Aquilo de que não estava mesmo nada à espera era que conduzissem pela esquerda. Contingências de ter um vizinho chamado Hong Kong, presumo.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Coisas que também acontecem na China
Vinte minutos passados no restaurante conversando com empregados e, poucos, clientes foram adensando uma atmosfera kafkiana em que estranhamente ninguém fazia ideia do paradeiro da mala que o meu pai, juraria a pés juntos se se recordasse de como o fazer, havia deixado pendurada no braço da cadeira apenas alguns mintos atrás
Ingénuo, recusei-me a acreditar que um dos empregados a teria escondido. Este tipo de coisas não aconte na China. Não é fácil explicá-lo, mas há um misto de ingenuidade e subserviência que caracteriza os empregados chineses em geral, que simplesmente afasta a hipótese de que teriam o desplante e coragem de roubar os pertences de alguém. Estrangeiro, ainda por cima.
Começo a desconfiar do casal de clientes que saiu pouco depois de nós termos voltado para buscar a mala enquanto ligo para o consulado de Xangai para receber notícias pouco animadoras sobre o tempo necessário para conseguir um novo passaporte e visto. Eu já perdi as esperanças de encontrar seja o que for e o meu pai vai ter direito a mais uma semana de férias na China. Penso na mala como um custo afundado. Agora preocupo-me apenas em como mandar o meu pai de volta para casa o mais depressa possível.
É preciso uma declaração da polícia e as esperanças que tinha perdido de encontrar a mala do meu pai reaparecem quando sinto o olhar nervoso da empregada ao ser confrontada com o meu pedido para que chame as autoridades. Afinal nada está perdido, basta insistir que se chame a polícia imediatamente até que, por milagre, a mala volte a aparecer, com o conteúdo intacto.
Foi simultâneamente um alivio e uma sentimento de raiva e desolação... até porque era um dos meus restaurantes preferidos.
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Coisas que só acontecem na China
Achar estranho quando o angariador/presumido-taxista-até-ao-momento nos encaminha para um dos balcões do aeroporto, de onde uma das senhoras nos acompanha até ao parque de estacionamento subterrâneo.
Esperar 5 minutos por um carro pequeno e velho. É uma viagem de meia-hora... que se lixe, sempre é melhor que ir de autocarro.
Ter que engolir o facto do condutor, de modos rudes e pouco amigo de conversas, nos levar por caminhos secundários esquecendo-se da moderna auto-estrada que liga o aeroporto a Shaoxing.
Escutar a minha mãe em pânico no banco de trás quando o condutor encosta numa berma escura num local que dificilmente poderia ser mais ermo, onde está já um carro parado à nossa espera.
Pressentir o meu pai em sobressalto quando reparamos que o carro que está à nossa espera não tem matrícula e que, para além disso, acaba de parar outro carro atrás de nós.
Engolir em seco e convencer os meus pais (e a mim próprio) que está tudo bem e que na China estas coisas são mesmo assim. Provavelmente, aqueles simpáticos senhores ainda acabariam a noite connosco a comer umas espetadas de poodle e a dizer poemas da dinastia Tang.
Efectuar o transbordo para o carro da frente, ao som dos gritos de uma menina sentada na estrada não muito longe de nós, tentando dominar o aperto que sinto no coração e nunca mostrando fraqueza perante a família assustada.
Prosseguir viagem na viatura sem matrícula pensando que se estivesse num país da América Latina, ou mesmo no meu, por esta altura algo de muito grave já teria acontecido.
Respirar fundo quando por fim chegamos a Shaoxing e pensar que na China estas coisas são mesmo assim.